Os perigos do excesso de autoconfiança e do ego no ambiente de trabalho

Publicado por: Redação
17/12/2021 09:48 PM
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Cortesia Pexels
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* Alexandre Slivnik

Quando se fala sobre autoconfiança, é possível e fácil enxergar esse atributo de forma positiva. Em contrapartida, o ego é visto da forma contrária e quase sempre com razão. Muitas vezes, especialmente em espaços corporativos, o ego pode ser um fator negativo e destrutivo para a construção de um ambiente agradável para todos os colaboradores.

 

Eu tenho estudado o ego há muitos anos, porque é uma característica do ser humano e garanto: o excesso de ego pode prejudicar as pessoas dentro do ambiente de trabalho, uma vez que pode gerar um excesso de autoconfiança.

 

Uma boa reflexão sobre o assunto foi feita pelo filósofo Aristóteles ao dizer que gente grande de verdade sabe que é pequena e por isso cresce, enquanto os pequenos que se acham grandes costumam diminuir outras pessoas. E o ego tem tudo a ver com isso. Se você usa o seu ego para reduzir outras pessoas, ele vai prejudicar a sua carreira definitivamente. Por essa razão, é fundamental distinguir a autoconfiança do egocentrismo.

 

O reconhecimento no trabalho é uma parte importante do desenvolvimento profissional, no entanto é preciso diferenciar o reconhecimento da pessoa e o comportamento. Enquanto o reconhecimento do comportamento gera autoconfiança, o da pessoa gera um ego inflado.

 

Imagine que eu diga a um jogador que ele possui uma habilidade e controle de bola incríveis. Certamente ele vai ficar autoconfiante com o elogio. Mas se eu disser que ele é o melhor jogador da história, o cenário é diferente. Quando eu elogio a atitude, a competência, a tendência é que ele seja autoconfiante. Quando eu elogio o ser humano ou a pessoa, a tendência é que ele tenha excesso de autoconfiança.

 

Quando um indivíduo tem excesso de confiança, pode começar a pisar em outras pessoas e o ego se torna prejudicial. Com base nisso, o tom e a forma como se comunica, podem passar uma imagem arrogante. Atualmente, um dos pontos importantes no ambiente profissional é o altruísmo, o pensamento no bem coletivo. Qualquer desvio dessa qualidade acaba impactando negativamente o espaço de trabalho.

 

Uma outra questão imposta pelo ego é que ele também pode gerar problemas de hierarquia, porque muitas pessoas que são lideradas e tem o ego inflado, normalmente não aceitam decisões dos seus líderes e o contrário também acontece, muitos líderes descartam sugestões dos seus colaboradores, pensando que manda quem pode, obedece quem tem juízo. Mas vale ressaltar que esse tipo liderança ficou no passado.

 

Quando você se acha o melhor naquilo, normalmente pode perceber, é o momento que as pessoas começam a se afastar de você. É o momento que você vai se sentir mais sozinho. Portanto é um momento para você refletir.

 

Ainda assim, existe o ego que é positivo, aquele que é usado como estímulo para a evolução e autodesenvolvimento. O ego também pode ser um combustível para continuar fazendo o melhor que pode. Mas é preciso ter cautela para evitar excessos, mantendo sempre a busca constante por aperfeiçoamento de ações e desenvolvimento. Afinal, como diz o escritor mineiro Guimarães Rosa: “O animal satisfeito dorme!”.

 

Alexandre Slivnik é reconhecido oficialmente pelo governo norte americano como um profissional com habilidades extraordinárias na área de palestras e treinamentos (EB1).

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